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MEDOS, MUITO ALÉM DE CROCODILOS

19 Jun

A frase “Eu tenho medos bobos e coragens absurdas” da Clarisse Lispector me define bem. Tenho coragem para muita coisa na vida, e pavor de algumas das coisas mais ridículas, especialmente quando se trata do mundo animal. Lagartixa,  mosquitos de todas as espécies, baratas (não precisa ser voadora), aranhas (é o que mais tem na cidade que moramos), a maioria dos animais peçonhentos, dos aracnídeos, tenho medo até daqueles patos gigantes se eles chegarem muito perto, fico achando que virão para cima de mim me bicar.

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Tentando acessar minhas mais remotas lembranças, desde que me entendo por gente sempre fui “bicho da cidade”, como diz meu marido. Nunca gostei de acampar, passei longe do grupo de escoteiros do colégio, nem na horta que minha avó tinha em casa eu gostava de entrar, tinha medo de apanhar morangos perto do muro e algum ratinho mais ligeiro me engolir, era meu pesadelo de infância.

Já adulta resolvi fazer mergulho, aquela época patética da vida que você arranja um namorado mais patético ainda e aí o cara faz alguma coisa “cool” e você acha que é legal também fazer para acompanhar.  Fiz o curso na piscina, comprei equipamento, fiz o batismo no mar, uns mergulhos em algumas partes bem legais do Brasil e meses depois, quando o namoro afundou, meu investimento de tempo e dinheiro naquele esporte lindo afundaram juntos.

Eu gostava de ver os peixes e as espécies marinhas com aquele colorido que você só encontra no fundo do mar, mas o pavor de encontrar uma moreia ou uma água viva pela frente era maior do que eu, mergulhava com medo de me machucar num ouriço ou de encontrar um tubarão….

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Em resumo, se não for cachorro e gato (alguns eu também tenho medo) ou da espécie “homo-sapiens” (fujo que nem diabo da cruz dos que parecem perigosos) eu tenho medo de praticamente quase tudo no mundo animal. Não sei quando foi que me tornei uma pessoa assim, mas sei que tem muita coisa nessa vida que me assusta bastante, mas não o suficiente para ter virado tema na análise, então  continuo caminhando normalmente como se essas quase “fobias” fossem normais.

O fato é que essa relação medrosa que eu tenho com parte do ecossistema muitas vezes interfere na forma com que  ensino minha filha a se relacionar com o mundo. Aqui na Inglaterra as crianças são incentivadas desde cedo a ter contato com a natureza. Duas vezes por semana Valentina vai para a “forest school” com os amiguinhos da escolinha, as professoras levam as crianças para a “floresta”, que na verdade é um parque, para terem contato com os bichinhos, insetos, plantas, aprenderem sobre o ciclo da vida, as cadeias alimentares etc… Valentina adora  a natureza, tem uma relação linda com as plantas, pega os bichinhos na mão e quando estamos nos aventurando em família meu marido a incentiva, e eu me seguro para não gritar: “Solta essa formiga, não chega perto desse bicho porque ele pica, machuca…”

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Vivo tentando equilibrar meus pavores mas percebo que o reflexo de tudo isso se reverte em excesso de cuidados. Recentemente fizemos uma viagem para a Espanha e fomos conhecer o parque principal da cidade que estávamos visitando, no meio do parque tinha uma lagoa linda com pequenos barcos a remo, as pessoas podiam alugá-los para fazer um passeio de meia a uma hora mais ou menos. Alugamos nosso barquinho mas antes de entrar nele já comecei a ficar apavorada:

– “E  se esse barco virar?” – eu perguntei. – “Não vira.”- respondeu meu marido. “Mas e se a Valentina levantar e nos desequilibrarmos?”- “Ela vai com colete, eu sei nadar, você sabe nadar…”. – “Mas e se tiver jacaré, e se tiver cobra, e se tiver qualquer outro bicho?”

– “Não tem nada disso, é só um lago no meio do Parque….” – meu marido respondeu.

Fiquei imóvel feito uma estátua durante todo o passeio, parada numa parte do barco tentando equilibrar o peso, quase sem respirar de medo. Daniel ria o tempo todo enquanto minha filha “valente Valentina”,  do alto dos seus 3 anos tentava remar o barquinho. Mas a grande questão da conversa é a frase do meu marido…. “Não tem nada disso, é só um lago no meio do Parque….” Quantas vezes subestimamos os “perigos” de nos cercam porque acreditamos ter tudo sob controle, qual a medida certa para deixarmos nossos filhos ter novas experiências com segurança?

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Essa semana quase tive um treco quando vi a notícia do menino que foi levado por um crocodilo na lagoa que margeia o complexo hoteleiro da Disney, na Flórida. Nem dormi direito durante aquela noite imaginando essa família perdendo seu filho numa tragédia absurda e “impensável” como essa. Cheguei a ler aqueles comentários estapafúrdios e monstruosos de que os pais tiveram culpa, tinham sido irresponsáveis pelo menino estar na beira da Lagoa etc… ainda que eles estivessem junto com a criança e que o pai tivesse tentado lutar contra o animal para salvar seu filho.

Vi vídeos na internet para entender como um crocodilo ataca, buscando compreender o incompreensível. Vi um vídeo de um crocodilo atacando um cachorro, o cão não está na água, mas nas margens do rio, ele chega de mansinho e dá uma espécie de bote, é uma questão de segundos  e o cachorro desaparece.  Eu quase entro em desespero  em pensar que isso possa ter acontecido com uma criança.

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Imagem Site Disney

Agora pensem comigo, por mais cuidadosa e medrosa que uma pessoa seja, assim como eu, quem em sã consciência vai imaginar uma cena como essa? Quem teria medo de deixar o filho colocar os pézinhos na água, estando ao lado dele? Fiz um exercício com meu marido, nós conhecemos os parques da Disney e essa Lagoa que atravessa o complexo Hoteleiro, nos perguntamos se deixaríamos nossa filhinha brincar com os pés na água e a resposta do meu marido foi: “SIM, DEIXARÍAMOS”.

Eu particularmente se estivesse sozinha com ela provavelmente não deixaria ela brincar na água, mas mais por medo de um buraco ou de outro bicho,  jamais pensaria que encontraria um crocodilo numa Lagoa dentro da Disney, ainda que a gente saiba que a Flórida é lotada deles. Mas se estivesse com meu marido, certamente me sentiria segura em deixar minha filha brincar na beira da lagoa.

Essa história serve de alerta a todos nós que gostamos de viajar, de nos aventurar com nossos filhos em nossas cidades, nossos países, ou pelo mundo: precisamos tentar sempre que possível pesquisar sobre nossos destinos, que tipo de “perigos” você pode encontrar em determinado lugar? De que forma podemos nos proteger em determinados passeios? Sem ser extremista, sem deixar de viver novas experiências, às vezes só o cuidado de passar um repelente, usar uma bota, não ficar na beira de uma lagoa ou não mergulhar em uma praia perigosa já seria o suficiente.

Cozumel - México

O que aconteceu na Disney foi uma tragédia que poderia ter sido evitada se houvesse indicação de crocodilos no local.  Existem lugares bem mais propícios a ataques de  determinados animais do que outros, a probabilidade de você se deparar com um  tubarão em águas australianas é bem maior do que em águas portuguesas, embora existam redes protetoras para evitar que tubarões cheguem nas praias da Austrália. Ser atacado por um crocodilo também é mais provável na Flórida, que calcula-se ter mais de 1 milhão de animais dessa espécie, do que na China por exemplo, que tem uma população muito pequena desse animal.

Mas também tem uma coisa que precisamos ter consciência, por mais apavorante e impactante que possa ser a história de mortes por tubarões, crocodilos, cobras, esses não são os animais que mais matam. O portal GOOD elaborou uma lista dos animais mais perigosos do mundo, com base num critério concreto: o número de mortes humanas causadas por ano. De acordo com essa lista, o animal mais perigoso do mundo é o mosquito Anopheles, responsável pela malária, que causa 725 mil mortes por ano.

Anopheles

Imagem: scientistsagainstmalaria.net

Em segundo lugar uma surpresa nada agradável: o segundo  animal que mata mais pessoas por ano no mundo é o Homem. Pois é… anualmente 475 mil pessoas são mortas por outras pessoas. Impressionante e triste, e nesse quesito o Brasil tem muitos “animais” perigosos, infelizmente.

O cachorro, o amável e melhor amigo do homem ocupa o 6º lugar da lista, com 40.000 mortes por ano, a maioria  devido à raiva. Recentemente uma grande amiga foi atacada por um cachorro, levou uma mordida enorme no pescoço, inúmeros pontos, internação e o alerta do médico: ela poderia ter morrido se a mordida tivesse atingido a aorta, teve muita sorte.

São essas histórias, que se  assemelham mais a um roteiro de filme de terror, que nos deixa de cabelos em pé: viver, mesmo que da maneira mais cuidadosa possível, é sempre uma aventura muito perigosa. Então o que nos resta é tentarmos proteger a nós e nossos pequenos e rezar, que estejamos de alguma forma protegidos nessas estradas da vida, e que os corações daqueles que perderam seus entes queridos em tragédias como a da Flórida, sejam confortados.

Veja a lista completa sobre os animais mais perigosos do mundo:

1. Mosquito Anopheles - 725.000
2. Homem - 475.000
3. Caracol de água doce - 110.000
4. Lombriga - 60.000
5. Serpente - 50.000
6. Cão - 40.000
7. Reduviidae - 12.000
8. Mosca Tsé-Tsé - 9.000
9. Ténia - 2.000
10. Crocodilo - 1.000
11. Hipopótamo - 500
12. Elefante - 100
13. Leão - 100
14. Lobo - 10
15. Tubarão - 10

Fonte: zap.aeiou.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

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VIAJAR VALE A VIDA

22 Apr

Quem conhece a família Girocoffee sabe que ser “viajante de alma” faz parte do nosso DNA, e nessas idas e vindas, vamos rodando o Globo “devagarzinho”, apreciando paisagens, fazendo pausas para tomar café e ver o pôr do sol, experimentando comidas típicas, visitando novos museus, novas culturas, novas alegrias, novos aprendizados.

Família Girocoffee

Acreditamos que viagem boa é montada em uma tríade: acomodação, passeios e gastronomia. Não gostamos de viagens curtas ou mega corridas, tipo: “percorra 5 países e conheça a Europa em 12 dias”, dessa forma é possível tirar fotos nos pontos turísticos mas não se conhece bem as cidades desse jeito. Respeitamos quem faça viagens assim, excursões, etc… cada um tem suas motivações, suas oportunidades, e viajar é sempre incrível, mas gostamos muito de ter mais tempo para apreciar o lugar.

Gostamos de observar as pessoas na rua, conhecer um pouco do costume local, das comidinhas, modo de viver, ter tempo de experimentar uma bebida em um lugar especial, visitar um parque sem pressa, um ponto turístico sem hora marcada para estar em outro ponto da cidade. Gostamos da liberdade de ir e vir da forma que desejarmos, gostamos de VIVER e de SENTIR aquele lugar.

Paisagens de Madrid

Paisagens de Madrid

Fizemos isso ontem em Madrid, saímos sem destino porque queríamos explorar o centro, e nas nossas andanças encontramos uma lojinha linda de decoração e antiguidades, um restaurante sensacional que nos proporcionou um dos melhores almoços da viagem, a mais linda casa de pães artesanais que já vi na Europa, entramos em uma linda igreja que não estava no roteiro, e tiramos fotos lindas da Valentina.

Lojinha de decoração no centro de Madrid.

Lojinha de decoração no centro de Madrid.

No fim do dia nossa pequena chegou no Hotel e fez sua primeira oração sozinha, sem pedirmos, sem ser estimulada, nada, juntou as mãozinhas e sozinha rezou: “Papai do Céu, muito obrigada pelo dia de hoje….” eu me emocionei, sei que foi a visita na igreja, levei ela no altar, contei a história de Jesus, disse que ele é o filho de Papai do Céu, assim como nós. Ela guardou na memória, lembrou, e na hora de dormir agradeceu Papai do Céu, tudo bem que ela falou obrigada pelo “cake”, pelo chocolate, e várias outras gostosuras que ela comeu nesses últimos dias, mas valeu. Valeu o dia, valeram as experiências, o que vimos e sentimos, valeu por tudo. VIAJAR VALE A VIDA.

Lindo altar

Lindo altar

E assim tem sido nossas viagens nos últimos anos, nossos guias somos nós mesmos, nossa intuição, uma ou outra indicação de amigos, um pouco das experiências divididas na internet, em blogs como o nosso, impessoais, sem intenção de nada, apenas de compartilhar as vivências nas estradas. Confesso que o Santo Protetor dos Bons Viajantes tem nos acompanhado sempre, temos feito boas escolhas de hotéis, roteiros, restaurantes etc… e apesar da falta de tempo, vamos tentar dividir algumas coisas aqui com vocês. Afinal de contas, as dicas de outros viajantes também tem sido valiosas para nós, e o que a gente divide nessa vida, a gente multiplica, isso é o que vale.

Companheira de aventuras

Companheira de aventuras

Olho por esses caminhos que temos percorrido e fico me perguntando sobre o que a Valentina está absorvendo e sente de tudo isso, e desejo que um dia, mais velha, quando alguém lhe perguntar o que os pais dela lhe deixarão como herança ela tenha a resposta na ponta da língua ou dentro do coração: “Meus pais investiram em me proporcionar o conhecimento das estradas da vida, eles me ensinaram a apreciar o que é diferente daquilo que eu conheço, a não ter preconceito, a respeitar o outro, sabendo que nesse mundo, por mais diferentes que sejamos uns dos outros, fisicamente, em nossas culturas, nosso habitat, nossas línguas, no fundo somos todos iguais, somos irmãos.”

Amém!

Que venham as novas aventuras e estradas, e que tenhamos saúde e disposição para percorrê-las .

Hasta Luego Amigo!

Silvia Lourenço

OS CAMPOS DE GIRASSÓIS

17 Apr

O carro corria a bem mais de 100 Km por hora,  estrada boa, vazia, era o sinal verde para o motorista acelerar… uma música calma tocava na rádio espanhola.  Na parte de trás, a menina-moça com pouco mais de 18 anos não conseguia desgrudar o nariz da janela, aqueles lindos campos de girassóis era a imagem mais linda que ela já havia visto na vida.  Andavam, corriam, voavam quilômetros por aquelas estradas,  e nunca se distanciavam das flores, a velocidade do veículo parecia diretamente proporcional a invasão dos pensamentos e os sentimentos que transbordavam naquele coração. O tempo congelou num “frame” de luz, naquela cena de cinema, e nunca mais ela esqueceu daquela imagem.

Lindos Campos de Girassóis

Lindos Campos de Girassóis

Passaram 15 anos, meus olhos já viram muitas e muitas outras paisagens, mas minha alma de menina-moça sempre relembrava  dos CAMPOS DE GIRASSÓIS da Espanha.  Eu e minha mãe estivemos no país em ocasiões e anos diferentes, recentemente perguntei a ela, que também percorreu muitas estradas, o que mais a tinha marcado em seus passeios conhecendo as cidades espanholas, e ela me respondeu sem titubear: “Foram os lindos CAMPOS DE GIRASSÓIS”. Me emocionei! Obrigada Espanha por nos receber tão bem, que Valentina te ame tanto quanto nós!

Silvia

RENOVANDO ENERGIAS

27 Mar

Estivemos no Brasil agora em março, a ideia era reencontrar os amigos, a família e entre outras coisas importantes colocar em ordem as caixas com nossos pertences pessoais que deixamos para trás quando mudamos para Londres. Foi uma viagem muito rápida, cheia de imprevistos e não conseguimos dar conta de arrumar tudo, mas algumas coisas especiais, que eu adorava,  já tomaram um novo destino. Entre elas um acessório “cafeínado” que foi para a casa da minha super amiga Aline.

Moedor de café da família Girocoffee

Moedor de café da família Girocoffee

Confesso que há 1 ano e meio, quando atravessamos oceano,  não foi fácil deixar nosso apartamento inteiro para trás, nem me refiro aos móveis, roupas… mas tem coisas que eu sinto muita falta, como meus livros, nossos acessórios de cafés, que enfeitavam boa parte da nossa cozinha, nossa coleção de bolas de neve e coisas que fomos ganhando e comprando ao longo dos anos e das nossas viagens… mas esse é assunto para outro post e no momento certo vamos falar sobre isso.

O fato é que não temos como trazer as coisas para Londres, tínhamos um tempo determinado pelo governo brasileiro para fazer a mudança e só agora soubemos que o tempo expirou, ou seja, poucas coisas ainda virão nas malas ou em algum pacote especial que vamos despachar, mas a ideia do container no navio com nossos quadros, álbuns, livros etc… não vai mais acontecer. Frustrei, chorei, mas em poucas horas me refiz para começar tudo de novo. O que ficou no Brasil estamos destinando: doamos, vendemos,  emprestamos, ou vamos guardar. E o essencial da vida, que está além dos objetos, paredes e decoração,  eu carrego comigo ao lado ou dentro do coração.

Então, voltando ao assunto das  caixas que consegui abrir e destinar, um moedor de café foi para a casa da minha amiga. Compramos esse acessório em uma viagem de sonhos que fiz com o maridão. Esse moedor, embora estivesse mais para enfeite do que outra coisa, trazia a lembrança de um momento bem especial das nossas vidas. Então rolava um certo amor pelo moedor, sabe.

Voltamos do Brasil a semana passada e a querida Aline me mandou uma mensagem dizendo que já havia usado, que adorou porque ele moeu o café tipo como café da roça, delicioso para tomar  com um pedacinho de bolo, e que ele já estava em um lugar especial junto com outros “amigos”, compondo o cantinho do café que ela montou em casa.

O novo moedor da Aline

O novo moedor da Aline

Fiquei tão feliz, mas tão feliz, porque um objeto, que deveria só ser um objeto, mas que tem uma representatividade emocional para nós, foi parar em um lugar onde as pessoas também são especiais, curtem cafés, e tem uma filosofia de vida parecida com a nossa. E olhem que cantinho mais lindo, com inúmeros tipos de cafeteiras e xícaras que ela montou em casa, muito charmoso.

Detalhes do cantinho do café e "amigos" do moedor

Detalhes do cantinho do café e “amigos” do moedor

O cantinho de café da famíia Almeida

O cantinho de café da família Almeida

Então o desejo é que cada objeto, móvel, roupa, louça, livro, ou qualquer coisa que um dia foi nossa,  e que agora toma novos destinos, tragam para seus novos donos e suas famílias  a mesma alegria que trouxe para a minha. Que as forças e energias que nos circundam possam sempre se renovar, levando e trazendo felicidade.

Desejamos saúde, vontade e forças para sempre recomeçar, além de CAFÉS, muitos CAFÉS, é claro.

Feliz vida nova, para todos nós!

Silvia Lourenço e família Girocoffee

ENXOVAL DO BEBÊ NO EXTERIOR – PARTE 1

11 Aug

Uma amiga me pediu dicas de NY para fazer o enxoval do seu bebê, já escrevi  sobre esse assunto outras vezes  para diversas amigas, então aproveitando a oportunidade,  o Girocoffee vai ganhar uma versão especial com uma série  de matérias sobre como ter uma viagem bacana para fazer o enxoval do bebê em NEW YORK, MIAMI, ORLANDO E BUENOS AIRES.

Valentina teve um enxoval made in TODOS ESSES LUGARES, isso porque para VIAJANTES de ALMA como nós, tudo é motivo para carimbar passaporte (rs). Na verdade estivemos em Orlando e Miami exclusivamente para o enxoval da pequena, mas viajei para os outros lugares por outros motivos e acabei comprando muitas coisinhas para ela também.

Enxoval em Buenos Aires

Enxoval de bebê em Buenos Aires, eu na porta do Hotel, depois de um dia de compras com a amiga

Quando engravidei fizemos as contas de quanto custaria fazer o enxoval completo no Brasil em comparação aos EUA, e é óbvio que apesar dos preços altíssimos das roupas e artigos infantis no nosso país, se for contar passagens, hospedagens, aluguel de carro, comida, passeios, talvez saísse mais barato fazer o enxoval em “casa”… mas quem resiste a uma temporadinha fora e a oportunidade de comprar as coisinhas mais lindas do mundo para a herdeira? Lá fomos nós.

Então meninas apertem os cintos, vamos decolar em direção ao MUNDO ENCANTADO DAS ROUPINHAS, FRALDINHAS, MAMADEIRAS E CARRINHOS DE BEBÊS. Nos encontramos hoje e nos próximos capítulos dessa aventura.

PRIMEIRA PARTE: A PROGRAMAÇÃO

TEMPO DE GESTAÇÃO PARA VIAJAR: Desde que você já saiba o sexo da criança,  o ideal é viajar entre 3 e 6 meses, primeiro porque nessa época estamos mais dispostas, no terceiro trimestre da gravidez ficamos lentas, mais cansadas e os roteiros de compras são muito desgastantes. Também tem a questão das viagens de avião, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) libera viagens para gestantes até o final do 6º mês, depois disso só com atestado médico.

DICA FAMÍLIA GIROCOFFEE: Leve atestado médico comprovando em que semana de gestação você está e que está bem de saúde para viajar, eles não costumam pedir mas vai que alguém da cia resolve achar que sua barriga está muito grande, ou qualquer outro motivo que possa gerar algum transtorno, em todas as viagens de avião que eu fiz durante minha gravidez eu sempre levei um atestado.  Se for aos EUA não esqueça de pedir para seu obstetra uma versão em inglês.

Dani, eu e Valentina com 5 meses na barriguinha da mamãe

Dani, eu e Valentina com 5 meses na barriguinha da mamãe (Orlando/EUA)

ONDE FAZER O ENXOVAL?  Falaremos de 4 destinos nos próximos dias:  Buenos Aires é o mais perto, tem coisas lindas, são mais baratas que no Brasil especialmente por causa do câmbio, mas ainda assim eu achei os preços das roupinhas superiores aos dos EUA, especialmente nas marcas americanas, como a famosa Carter’s, que também é possível encontrar em lojas argentinas. De qualquer forma é um destino mais barato e eu acho que vale muito a pena, não só pelas compras mas pela viagem em si, eu adoro Buenos Aires!

Enxoval de bebê em Buenos Aires (Imagem: Silvia Lourenço)

Enxoval de bebê em Buenos Aires (Imagem: Silvia Lourenço)

Se você optar pelos EUA eu gosto mais de NY, embora de modo geral em Miami e Orlando os itens sejam bem mais baratos principalmente por causa do imposto, que em NY é maior. Em Miami e Orlando você também  vai encontrar lojas muito especializadas em enxovais de bebês. Por conta da avalanche de brasileiros que tem ido para essas cidades,  em determinados lugares existem atendentes que falam português,  além disso quem quiser pode contratar uma consultoria de enxoval, eu acho desnecessário, mas os serviços existem, e muita gente contrata porque não sabe nem por onde começar (eu também não sabia).

Minha cidade preferida para o enxoval de bebê. I LOVE NY! (Imagem: Silvia Lourenço)

Minha cidade preferida para o enxoval de bebê. I LOVE NY! (Imagem: Silvia Lourenço)

VÔO: Dependendo do destino e de onde você estiver tente comprar um vôo direto, às vezes a diferença de preço vale pelo comodismo e tranquilidade.  Imagine você grávida tendo que parar, pegar malas, esperar outro vôo, reembarcar… Quando eu estava esperando a Valentina peguei um vôo internacional com escala, transtorno sem fim. Evite estresse extra e desnecessário.

Se viajar na classe econômica tente sentar na primeira fileira que é reservada para idosos, gestantes e mães com bebês, existe mais espaço para as pernas e é mais confortável, mas é preciso chegar cedo no check in para conseguir lugar.  Nos EUA mulheres grávidas não tem preferência nas filas, por isso para tentar lugares na primeira fileira,  se for possível faça o check in online, se não for chegue cedo no aeroporto para tentar garantir um bom assento.

Se tiver alguma restrição alimentar avise na hora de fazer a reserva. Não se esqueça das meias elásticas, elas são horrorosas mas são muito úteis,  ajudam demais na circulação do sangue e no conforto geral da viagem. Eu levantava a cada 2 horas para caminhar pelo avião, alivia as costas e melhora a circulação das pernas.

Viagem de avião. (Imagem blog Dublin para brasileiros)

Viagem de avião. (Imagem blog Dublin para brasileiros)

DINHEIRO, CARTÃO DE CRÉDITO OU TRAVEL MONEY

DINHEIRO: Eu sou fã de “cash na mão”, mas não gosto de viajar com muito dinheiro pelo perigo de perder ou ser roubada… sempre viajo com uma quantia razoável para emergências, pagar táxi, gorjetas, e para um pouco de compras também.

CARTÃO DE CRÉDITO: Para a maioria é a melhor opção, tem várias vantagens mas eu particularmente não gosto muito de usar cartão de crédito nas viagens. As vantagens são dividir as compras em parcelas, pagar bem depois das compras, poder gastar mais etc… mas é preciso se atentar para a taxa de câmbio no dia que fizerem a conversão do cartão, você pode dar sorte e a taxa estar mais baixa do que quando você comprou, ou estar bem mais alta. De qualquer forma o cartão é necessário, os hotéis pedem como garantia, a locadora de automóveis também, e numa emergência os gastos com as compras vão para o cartão de crédito, é claro. Você também pode fazer saques de dinheiro no exterior com cartão de crédito, mas paga taxa, então é preciso avaliar se vale levar dinheiro ou sacar no país da viagem.

CARTÕES PRÉ-PAGOS ou TRAVEL MONEY: Sempre gostei de viajar com cartões Travel Money que são cartões pré-pagos que você abastece com valor  no Brasil (no caso dos EUA você abastece com dólar, para a Inglaterra você abastece com libras esterlinas e assim por diante), e vai pagando suas compras à vista com ele. Eu acho prático e para mim é uma boa forma de controlar o dinheiro, além disso tem seguro, se você perder o cartão é só bloqueá-lo imediatamente, diferente do dinheiro, que se perder, perdeu.  DICA FAMÍLIA GIROCOFFEE: No Brasil há anos fazemos troca de câmbio com a Cotação On Time www.cotacaoontime.com.br , gosto muito do serviço deles.

Cartão Travel Money

Cartão Travel Money

SEGURO SAÚDE: Eu acho que é  OBRIGATÓRIO fazer um seguro saúde para viajar quando estamos grávidas,  né meninas?!? Já pensou acontecer qualquer emergência em outro país? Aliás eu nunca viajei sem seguro saúde, a não ser que você tenha um seguro internacional que cubra o país que vai visitar, se não tiver eu acho primordial. Se você viaja muito pode valer mais a pena ter um seguro de viagens anual. Consulte seu agente ou uma agência de viagens.

O QUE LEVAR NA MALA:

SACOS A VÁCUO: Sabem aqueles sacos a vácuo que diminuem o volume das roupas? Foram eles que nos salvaram no enxoval da Valentina, se não fossem os sacos não caberia tudo nas malas. Comprei nos EUA, no supermercado, mas se você já tiver ou preferir levar do Brasil melhor, assim não perde tempo procurando. É importante comprar diversos tamanhos, eu comprei os que o ar são puxados pelo aspirador de pó, é só pedir no Hotel que eles sempre tem um aspirador disponível para emprestar para os hóspedes. Conheço gente que comprou mini aspirador, mas não precisa.

Sacos a vácuo

Sacos a vácuo (Imagem: Personal Assistant)

PLÁSTICO BOLHA: Esse é um item que não pode faltar na mala, sempre vão ter coisas que você vai querer embrulhar bem para não quebrar, como a babá eletrônica por exemplo, quando viajo já vou com plástico bolha dentro das malas para facilitar minha vida na hora de voltar, inclusive para embrulhar garrafas de vinho, champagne, azeites (adoro comprar essas coisinhas por aí).

BALANÇA PARA AS MALAS: Se você for como eu, em todas as viagens vai voltar com as bagagens abarrotadas. Já passamos muito sufoco sem saber quanto elas estavam pesando e tendo que reorganizar mala no meio do aeroporto, já pensou todo mundo vendo suas calcinhas, meias, e todas suas “parafernalhas”?  Pois é, cena ridícula né, já passei por isso e não aconselho, ainda mais grávida.

Esse é o modelo da nossa balancinha, usamos ela há 5 anos e ainda não quebrou.

Esse é o modelo da nossa balancinha, usamos ela há 5 anos e ainda não quebrou.

Depois que descobrimos a balancinha de malas nos tornamos seres viajantes mais felizes e menos estressados. Esse é um acessório indispensável na hora de fazer enxoval do bebê,  e é uma forma de ir fechando as malas conforme elas vão chegando no limite. O Dani comprou a nossa em algum aeroporto da “vida”, não sei qual, mas tem para vender em tudo quanto é aeroporto, tenho visto muitas. Pode apostar que esse “acessório” vai fazer toda a diferença na sua viagem.

Bem amigos, vamos ficando por aqui,  nossa próxima parada será em NEW YORK, com as dicas das lojas, do que comprei em cada uma delas e  paradinhas para o café.

ATÉ LÁ!

Silvia Lourenço

 

 

 

PARQUE DA PEPPA PIG NA INGLATERRA

2 Jul

Essa semana contamos aqui no blog porque gostamos tanto do cartoon britânico Peppa Pig e porque ele é sucesso no mundo todo, sendo transmitido em 180 países e tendo virado febre no Brasil desde que desembarcou em terras verde e amarelas,  há pouco mais de 1 ano. Para quem ainda não conhece, a Peppa  nasceu há 10 anos, é uma pequena porquinha que vive com seus pais e seu irmão mais novo, George. O desenho é super educativo e transmite mensagens positivas através das questões do cotidiano e da convivência da família.  

Peppa e George

Peppa e George

Para quem ainda não sabe na Inglaterra existe um Parque da Peppa Pig, que fica a 1 hora e meia de Londres e foi vencedor do Traveller’s Choice em 2013, e não é para menos, o parque é lindo, cheio de atrações para as crianças e super estruturado, uma opção de passeio maravilhosa para as famílias e turistas  aqui na Terra da Rainha, ainda mais para quem é fã do cartoon. O Peppa Pig World fica dentro de um outro parque,  o Paultons Park que tem atrações para crianças e adultos, eles são interligados, então você entra pelo Paultons e tem acesso ao Peppa, mas pode usufruir dos dois durante todo o dia pagando um bilhete só.

Mapa Parque Peppa Pig

Mapa Parque Peppa Pig

Logo que chegamos nos chamou atenção  uma área com animais de várias espécies como flamingos, garças, suricatas, entre vários outros,  é como um mini zoológico, cada um tem seu espaço com informações sobre os bichinhos, origem, o que comem etc… eu adorei, as crianças amam ver os animaizinhos ali ao vivo, e tê-los no Parque de diversões nos surpreendeu bastante. Também adoramos as áreas verdes presentes em todo o Parque, uma delícia para as crianças correrem e para fazer piqueniques.

Aliás uma dica super valiosa é exatamente essa, na Europa e especialmente na Inglaterra as pessoas amam fazer piqueniques, os ingleses são realmente mestres nisso, nas lojas de departamentos existem kits com cesta, toalhas e talheres para os “encontros” ao ar livre, então se o dia estiver bonito aproveitem. Para quem prefere praticidade não tem problema, o parque tem várias lanchonetes, cafeterias e sorveterias espalhadas por toda sua extensão, ninguém vai passar fome por lá.

Outra coisa que achamos super legal é o aluguel dos stollers em formatos de carrinhos infantis para passear pelo parque, se você não quiser levar o carrinho da criança pode alugar um desses que leva 1 ou 2 pequeninos, uma forma fácil de transportar os pequenos quando estiverem cansados, e ao mesmo tempo é divertido para eles. Mas para quem preferir seu próprio carrinho não tem problema, em cada entrada dos brinquedos os pais fazem uma espécie de estacionamento de stroller.

As atrações são diversificadas e a maioria são para crianças pequenas acompanhadas de adultos, o que transforma o passeio  muito mais divertido. Eles poderão conhecer o dinossauro do George, o trem e o barco do Vovô Pig, o balão da Peppa, o carro do Papai Pig, o helicóptero da Miss Rabbit entre diversos outros, no site do parque é possível visualizar informações de cada atração, inclusive altura mínima para entrar em cada brinquedo. Há também um playground com acqua play dentro do Parque, acho que Valentina se divertiu mais lá do que em alguns brinquedos. Outro espaço que adoramos é a piscina com shows dos pinguins, uma graça, é preciso verificar os horários de apresentações.

Papai Dani Pig e sua filhotinha Nina Pig

Papai Dani Pig e sua filhotinha Nina Pig

COMO CHEGAR: Como moramos em Londres fomos de carro e decidimos ir e voltar no mesmo dia, mas para quem curte parques de diversões  pode ficar hospedado próximo ao Paultons e visitar os parques por 2 dias,  tem atrações suficientes para as crianças e os grandões. Para chegar de carro no Parque é muito fácil (guiado pelo GPS), mas também fiz  uma simulação com nosso endereço pelo Google Maps indo de transporte público. Você pode simular seu roteiro, a partir do endereço que for sair de Londres ou de outra cidade através desse link disponível no site: http://www.theaa.com/route-planner/index.jsp

DESCONTOS NOS TICHETS: Se você comprar os tickets com antecedência consegue descontos. Compramos direto pelo site, imprimimos os vouchers e levamos no dia. É  muito simples: https://paultonspark.co.uk/tickets/buy

ENTRADA VIP: Ah e uma dica bacana para os super fãs da família Peppa é o PASSE VIP para conhecer os personagens pessoalmente e entrar no Parque antes que ele abra, entre 9 e 10 da manhã, nesse período as crianças poderão usufruir de uma área de recreação específica para cada idade e ainda encontrar os personagens para interagir e fotografar. Mas atenção, essa opção não está disponível todos os dias e é claro, tem uma taxa extra, para crianças acima de 3 anos por exemplo o custo adicional é de 18,50 pounds, ou seja quase R$ 80,00 a mais. Informações no link: http://peppapigworld.co.uk/oink/2014/02/37/peppa-s-early-play-ride-pass

Ah e a informação final é: Chequem no site as datas que o Parque está aberto e horário de funcionamento, no inverno eles não abrem  e mesmo no verão eles costumam fechar  no máximo às 17h30, então cheguem cedo para aproveitar. Vale a pena!

Informações gerais do Parque: http://www.peppapigworld.co.uk

Amigos, hoje ficamos por aqui e esperamos que vocês tenham gostado da nossa aventura no Parque da Peppa Pig, e é claro, que sirva como dica para quem mora na Inglaterra ou eventualmente esteja passando férias na terra da Rainha.

Um beijo muito especial para os amigos da família Girocoffee, e ÓINK ÓINK para todos vocês!

FAMÍLIA GIROCOFFEE

O melhor de Paris

12 Sep

Durante alguns anos fui colaboradora de uma revista bem bacana chamada Dolce Morumbi. Há 2 anos as “meninas da Dolce”, como chamo carinhosamente as diretoras, sabendo da minha paixão por Paris me fizeram um convite para escrever uma matéria sobre a “Cidade Luz”. De lá para cá fizemos várias outras viagens, voltei a Paris mais uma vez, o Dani voltou algumas outras, conhecemos novos cafés, novas delícias, revivemos as mesmas paixões e descobrimos novas. Lembrei dessa matéria e decidi postá-la aqui no Giro Coffee. Dei uma editada para o blog, mas o olhar carinhoso e a paixão por Paris continuam os mesmos.

Uma Paris Especial

Quando recebi o convite para escrever essa matéria fiquei feliz e animada pela oportunidade de falar de uma das coisas que mais amo na vida: VIAJAR. Escrever sobre qualquer outro roteiro que eu tenha feito ou cidade que eu já tenha conhecido seria fácil, mas confesso que falar sobre os cantinhos preciosos de Paris me deu até um certo friozinho na barriga. Minha relação com essa cidade vai além de apreciar seus lindos pontos turísticos e sua magnifíca gastronomia, por diversos motivos tenho uma ligação intensa com ela.


Minha primeira visita à “Cidade Luz”, como é conhecida, foi aos 18 anos, numa viagem pela Europa. Em pouco mais de 2 meses percorremos 4 países e mais de 30 cidades, mas nenhuma sensação se comparou ao que senti quando desembarquei em Paris. De lá para cá voltei algumas vezes e em cada reencontro descubro algo surprendente, que vão de lugarzinhos inexplorados como lojinhas de moda em BelleVille, a até um chocolate quente muito especial em lugar que eu jamais poderia imaginar: uma pequena portinha no bairro de St. Michel.

Em 2006 fui passar o Natal e Reveillon na casa de tios queridos que moram na cidade, e no dia 30 de dezembro fui pedida em casamento pelo Dani na charmosa cafeteria do Château de Versalles, um palácio construído pelo rei Luís XIV, o ‘Rei Sol”, no século 17. Considerado um dos maiores do mundo  Versalles possui 2.000 janelas, 700 quartos, 1250 lareiras e 700 hectares de parques. Só para terem uma idéia se fizermos uma comparação, o território dos Jardins de Versalles equivalem aproximadamente a 700 campos de futebol. Considerado um dos pontos turísticos mais visitados na França ele recebe em média 8 milhões de turistas por ano. Ficar noiva nesse lugar selou definitivamente minha relação com Paris (Versalles fica muito próximo da capital).

Em 2008 e 2009 eu e Dani desembarcamos novamente na Cidade Luz, dessa vez já casados. Pontos turísticos como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a Catedral Notre-Dame, o Museu do Louvre, O Museu D’Osay são visitas obrigatórias para quem vai a Paris pela primeira vez, como já conhecíamos esses lugares decidimos rever os que mais gostamos e buscar outros menos explorados.

Um dos pontos que sempre visitamos em Paris é Monmartre, um bairro boêmio cheio de pintores, ladeiras cheias de turistas e cafés maravilhosos. Na praça principal artistas disputam espaço para vender seus quadros, posters antigos da região, pinturas de vários estilos e até caricaturas que são feitas na hora. Em 2008 eu aproveitei a visitinha e comprei uma obra da pintora Marie Jolann, uma linda aquarela que ilustrava Paris. Carreguei o quadro por toda a viagem e por ironia do destino, perdi a aquarela no aeroporto de Guarulhos, quando desembarquei no Brasil. Tudo bem, ter que adquirir outra obra da artista seria uma ótima desculpa para voltar a Paris.

No topo da montanha de Monmartre, no ponto mais alto da cidade, encontra-se a Basílica de Sacré-Coeur, um templo dedicado ao Sagrado Coração que começou a ser construída em 1875 e foi finalizado em 1914. Um dos destaques dessa igreja é o mosaico no apse, chamado de Cristo em Majestade, que é um dos maiores do mundo. O topo da Basílica é aberto aos turistas e reserva uma vista espetacular da cidade de Paris. Sem dúvida é um dos lugares que eu mais aprecio.

Os cafés do bairro são uma história a parte, qualquer cafeteria em volta da praça vale a pena. No inverno elas são maravilhosas para nos abrigar do frio, e no verão não há nada mais incrível que contemplar um fim de tarde em uma das mesas que ficam ao redor da praça, do lado de fora dos cafés e restaurantes. Por lá eu sempre tomei os melhores capuccinos e cafézinhos da cidade. Montmartre é um bairro impressionantemente especial, onde viveu vários artistas e escritores famosos, entre eles um dos meus pintores favoritos: Van Gogh, mas isso já é  capítulo para outra matéria.

Uma das coisas que não se pode deixar de comer em Paris são os tradicionais crepes, que são encontrados em todos os lugares, de restaurantes super chiques até as barraquinhas de rua. Na cidade os crepes salgados são comumente conhecidos como galletes, nome proveniente da Bretanha, local onde o crepe é uma especialidade regional. O recheio mais tradicional da galette é o de presunto e queijo, a famosa galette jambon/fromage, e vale lembrar que normalmente nas creperias eles perguntam se o cliente quer a galette complete , que leva um ovo semi-cru por cima. Para quem gosta dos crepes doces não pode deixar de experimentar o de Nutella, para mim o melhor de todos.

Eu também não visito Paris sem comprar pelo menos uma caixinha de macarron, um docinho com mais de 500 anos de história que nasceu em Veneza na Itália, mas fez fama na França, principalmente depois de ter sido eleito o doce preferido da rainha Maria Antonieta. Feito com claras de ovos, açúcar de confeiteiro e farinha de amêndoas são biscoitinhos saborosos e muito delicados. Crocantes por fora e extremamente macios por dentro podem ser encontrados em inúmeros sabores. Nós nos apaixonamos de tal forma pelos macarrons que em nosso casamento substituimos os tradicionais bem-casados por eles, foi um sucesso porque no Brasil nem todo mundo conhecia essas maravilhas.

Por lá, o biscoitinho pode ser apreciado em várias pâtisseries, mas não há nada mais deslumbrante do que as vitrines da boutique Ladurée, que podem ser encontradas na rue 
Royale, ou na própria Champs-Elysées. Esse “templo” do macarron com certeza é o mais conhecido e mais chique de Paris, aliás do mundo. Eu já cheguei a ficar meia hora na fila, na véspera de Natal, para adquirir uma maravilhosa e delicada caixinha. A Ladurée vende mais de 15 mil unidades de macarrons por dia só na cidade. Já estivemos em praticamente todas as lojas da Ladurée em Paris, e na última viagem jantamos no restaurante da Ladurée na Champs-Elyseés (adoramos a comida mas  o atendimento foi bem ruim, coisas de Paris). A Ladurée também tem lojas em várias outras cidades como Londres, Mônaco, Bahrain, Tokio, Dubai entre outras.

Como para mim Paris é a cidade mais especial da Europa espero que minha narrativa não tenha sido permeada por muita emoção, e que eu tenha conseguido compartilhar as boas sensações que conhecer um lugar como esse pode nos proporcionar. Ainda voltaremos a falar muitas outras vezes da maravilhosa capital francesa. Espero encontrar vocês nas descobertas e aventuras de outras viagens, aliás, desejo encontrar vocês pelas ruas de Paris.

Bon Voyage!

Dicas de Paris

Artista Marie Jolan (Praça de Montmarte)
Site: http://www.amontmartre.com

Le Tambour

Excelente opção para se terminar o dia. Ótimas entradas, saladas, crepes e outros pratos. Rue 41, Montmartre (Metrô: Sentier ou Étienne Marcel.)

La Régalade de la Tour Eiffel – Fica na beira do Sena, quando sair da Torre Eiffel em direção ao Trocadero dê uma paradinha e experimente os melhores crepes de rua de Paris. O que eu mais gosto é o Nutella, não tem jeito.

Café de La Paix – Não existe nada melhor no mundo do que sentar em boa cia nas mesinhas do lado de fora, em frente à Ópera Garnier, só para tomar um café e jogar conversa fora.  (Place de l´Opera com Blvd. des Capucines) Site: http://www.cafedelapaix.fr

Café Les Deux Magots – Esse é um daqueles famosos cafés literários frequentados por Sartre, Picasso, François Truffaut, Simone de Beauvoir…. Vale a visita só de saber que essa “turma” era assídua de lá. Super charmoso. (6, Place Saint Germain des Prés, ao lado da igreja) Site: www.lesdeuxmagots.fr

Alguns endereços que conhecemos da Ladurée:
16 rue Royale/ 75 av. Champs Elysées/  21 rue Bonaparte/ Printemps do Boulevard Hassmann.

Bjos e até a próxima!

Silvia